Centenário de Jorge Amado: “uma arte moderna sem ser modernista”

No centenário de nascimento do escritor baiano suas obras ainda refletem a alma do brasileiro, quando propôs com outros grandes escritores a valorização de nossas raízes populares, contrapondo às mazelas da elite do país acostumada a ditar regras.

Por Marcos Aurélio Ruy*

 

 

Jorge AmadoJorge Amado

Jorge Amado, por muito tempo, foi execrado pela crítica elitista e conservadora. Porque além de tudo era comunista, escrevia de forma a ser popular e levantava bandeiras contra o racismo, a exploração dos trabalhadores, a discriminação das mulheres e dos homossexuais e estampava nas páginas de seus livros os grandes problemas nacionais, tomando sempre o partido do proletariado e dos menos favorecidos.
Já na década de 1920 disse ao que veio ao juntar-se a outros autores e criar a Academia dos Rebeldes na Bahia; ele pregava “uma arte moderna sem ser modernista”, já apontando uma divergência com o movimento criado em torno da Semana da Arte Moderna realizada em São Paulo em 1922. O centro era a avaliação do caráter popular e nacional da cultura e o que fazer com essa visão particular de brasilidade.
Juntamente com outros grandes escritores como o alagoano Graciliano Ramos, o gaúcho Erico Verissimo, o paraibano José Lins do Rego, entre outros, Jorge Amado partia do específico, do regional para atingir o universal e destacou-se, como seus colegas, nessa maneira de entender nosso país a cultura sem desprezar as raízes africanas e indígenas, mas sem idealizações fortuitas. Segundo Herbert Carvalho a obra de Jorge Amado “constituiu uma espécie de carteira de identidade do Brasil perante estrangeiros”, que lhe dedicaram inúmeros prêmios, sendo o autor brasileiro mais traduzido.
Talvez por isso, ressalta Carvalho ele “nunca despertou simpatias da crítica universitária, da qual sofreu dupla discriminação, pelo passado militante de esquerda e por ser autor de best-sellers”, criador de personagens que aquela crítica estigmatizou “como caricaturais, estereotipados e psicologicamente vazios”. O que na verdade significa desprezo da elite pelos traços populares da cultura nacional. Jorge Amado colocou o dedo na ferida de muitas questões enraizadas na sociedade brasileira como o racismo e a dura vida dos trabalhadores brasileiros, como no romance Cacau (1933), no qual inseriu uma nota onde diz: “tentei contar neste livro, com um mínimo de literatura para um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia. Será um romance proletário?”. Em Jubiabá (1935) o autor estampa claramente o racismo brasileiro. Também presente nas obras de Jorge Amado a luta das mulheres contra a dominação ditatorial masculina.
Tinha 19 anos de idade quando publicou seu primeiro livro O País do Carnaval (1931), onde já revela uma visão do país e da sociedade brasileira em que as agruras dos pobres, dos marginalizados; a sensualidade e o jeitinho do brasileiro aparecem com força, sempre vislumbrando a possibilidade do surgimento do novo. Seus livros são uma tentativa de compreender a formação do povo brasileiro de forma ampla.
Filiado ao Partido Comunista do Brasil, na época com a sigla PCB, passou a ser acusado “de maniqueísta e populista, por destacar as qualidades dos humildes e as mazelas dos poderosos”, ressalta Carvalho. O ódio passa a ser tamanho que seus livros foram queimados em praça pública por fascistas e conservadores em Salvador, em novembro de 1937, sob a acusação de serem “subversivos”.
“Não escrevi meu primeiro livro pensando em ser famoso. Escrevi pela necessidade de expressar o que sentia”, disse Jorge Amado. Um de seus livros queimados em praça pública Capitães de Areia (1937) retrata o problema de meninos de rua em Salvador, mostrando uma das faces mais cruéis da burguesia a marginalização e exploração de jovens e crianças.
Fundamental na brasilidade Sua obra resistiu e constitui até hoje parte fundamental da literatura brasileira. Em seus textos está a luta do trabalhador, a sensualidade do brasileiro, a mestiçagem, as raízes africanas da cultura e a dominação de uma elite antinacional e antipopular, que odeia o país e seu povo. Como no clássico Gabriela, Cravo e Canela (1958), onde a sexualidade à flor da pele da protagonista é pano de fundo para a trama política que revela uma elite dividida entre conservadores e progressistas. Luta pelo poder em que os progressistas apoiavam as reivindicações dos trabalhadores até certo ponto. Mal assumem o poder, progressistas e conservadores se ajeitam e a elite permanece no topo, distante do mesmo povo que antes lutava consigo.
A história brasileira é notória em fatos semelhantes, em que o povo fica à deriva, no máximo juntando-se à parcela da elite menos voraz em seus ditames.
O escritor elegeu-se deputado para a Assembleia Constituinte de 1946 e teve atuação destacada até que o partido foi novamente posto na ilegalidade, em 1947, após quase dois anos respirando ares de atuação na vida à luz do dia. Juntamente com os outros companheiros de partido Jorge Amado viu-se na clandestinidade e por causa das prisões efetuadas viu-se forçado a sair do país. Passou a viver na Europa, mas nunca abandonou o Brasil. Ainda sob o Estado Novo, escreveu O Cavaleiro da Esperança (1942), uma biografia do líder comunista Luiz Carlos Prestes. Em 1954, escreveu a trilogia Os Subterrâneos da Liberdade, relatando detalhes da repressão aos comunistas, com seus militantes sendo presos e torturados.
Dois caminhos


O escritor deixa o Partido Comunista em 1956, sob o impacto provocado pelas denúncias contra Stálin feitas por Kruschev no 20º do Partido Comunista da União Soviética. Ele explicou o desligamento declarando que, agora, passaria a dedicar-se apenas à literatura. Contudo, ao contrário do que acontece com muitos ex-comunistas, Jorge Amado não se transformou num conservador. Mesmo assim – amigo do ultraconservador baiano Antonio Carlos Magalhães – no segundo turno da eleição presidencial de 1989, que opôs o neoliberal Fernando Collor de Mello a Luís Inácio Lula da Silva, do PT e apoiado pelo PCdoB e pelo PSB, Jorge Amado votou em Collor.
A popularidade de seus romances repetiu-se no cinema e na televisão A segunda maior bilheteria do cinema brasileiro Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, é baseado na obra homônima de Jorge Amado, de 1966, que também foi um grande sucesso literário, mostrando o forte apelo popular de suas obras, que foram adaptadas para o cinema, o teatro e a televisão.
Dona Flor e seus Dois Maridos é a vida de uma mulher que se apaixona pelo malandro Vadinho, que a maltrata e vive na boemia, no jogo e na orgia, mas bom de cama. Quando ele morre a viúva casa com o farmacêutico Teodoro, recatado e respeitador, mas nem tão bom de cama assim. Dona Flor só volta à felicidade plena quando o espírito do malandro volta para ela assim ter os dois homens de sua vida. Livro com um pouco de realismo mágico. O morto cafajeste bom de cama e o bom homem vivo e recatado. Uma alegoria sobre a visão conservadora e castradora da sexualidade feminina e a vontade de se ter uma vida sexual plena e feliz, sem repressão.
Jorge Leal Amado de Faria nasceu em Itabuna, Bahia, em 10 de agosto de 1912 e faleceu quatro dias antes de completar 89 anos, em 6 de agosto de 2001. Ele foi, entre os grandes escritores brasileiros, o mais lido, traduzido para línguas estrangeiras (foram traduzidos em 55 países e 49 idiomas) e adaptado para o cinema, teatro e televisão do país. Escritor comunista reconhecido no exterior, recebeu vários prêmios entre os quais se destaca o Prêmio Lênin da Paz (Moscou, 1951). No Brasil, além de prêmios literários, foi homenageado também pelo povo. Um exemplo foram as várias escolas de samba, pelo país afora, que nele se inspiraram para levar seus enredos às avenidas. Como a Mocidade Alegre, que foi a campeã do desfile das escolas de São Paulo neste ano com o tema: “Ojuobá – No Céu, os Olhos do Rei… Na Terra, a Morada dos Milagres… No Coração, Um Obá Muito Amado!”, uma homenagem a seu centenário.
Ele explicava que para si “escrever é transmitir vida, emoção, o que conheço e sei minha experiência e forma de ver a vida”. Pela qualidade e pela brasilidade de seus livros Jorge Amado tem presença assegurada entre os grandes escritores nacionais e nos corações e mentes dos brasileiros para todo o sempre.

Fonte: Portal Vermelho

Festival Venezuelano de Cinema da Diversidade abre inscrições para curtas-metragens

A segunda edição do Festival Venezuelano de Cinema da Diversidade (FESTDIVQ) já está com inscrições abertas para produções audiovisuais de curta-metragem que destaquem a temática da diversidade sexual. A convocatória está aberta até o dia 15 de junho. Já o Festival ocorrerá entre os dias 3 e 7 de setembro em Caracas, na Venezuela.

 

O evento é organizado pela Associação Civil “Cine 100% Venezolano” e conta com o apoio de entidades públicas e privadas, além de escolas de cinema do país, organizações não-governamentais e associações ligadas ao movimento LGBTIQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Intersexuais, e “Queers”). A intenção, segundo a convocatória do Festival, é “fomentar um espaço de discussão e reflexão da produção, difusão e investigação da cinematografia venezuelana e internacional GLBTIQ”.

 

As inscrições estão abertas para documentários, ficções de qualquer país ou propostas de vídeo de arte da Venezuela que trabalhem com a temática em no máximo 30 minutos e para produções venezuelanas de até quatro minutos. Os vídeos devem ter sido realizados entre 2010 e 2012 e ser em espanhol ou possuir legendas no idioma.

 

Para participar, as/os responsáveis devem apresentar: uma cópia da produção em DVD ou Blue Ray e outras quatro cópias em DVD, ficha de inscrição completa e assinada, um CD com ficha de inscrição, informações sobre diretor/produtor, fotografias em alta resolução, cartaz do vídeo e trailer (se tiver), ficha técnica, sinopse, currículo de produções audiovisuais do diretor e outros materiais relevantes para a divulgação.

 

Os documentos devem ser enviados até o dia 15 de junho para o endereço: Av. San Martín. Entre Esquina Capuchinos e Albañales.Residencia La Palma. Caracas. Venezuela. Município Libertador. Localidade San Juan 1020. Urbanização Palo Grande.

 

No total, o Festival premiará os melhores trabalhos em cinco categorias: Melhor Curta-Metragem de Ficção Q, Melhor Curta-Metragem Documental Q, Melhor Curta-Metragem Nacional Q, e Melhor Vídeo Arte Q, para produções de até 30 minutos de duração; e Melhor Curta-Metragem “Sexo Diverso em 4”, para obras de no máximo quatro minutos.

 

Para mais informações, escreva para: festdivq@gmail.com

 

Confira a convocatória completa em: http://festivalvenezolanodecinedeladiversidad.wordpress.com/

 

Fonte: Adital

Culinária nordestina influencia bares do “Comida Di Buteco” em Ribeirão

 

A influência nordestina está evidente em alguns dos bares participantes do concurso gastronômico “Comida Di Buteco” 2012” em Ribeirão Preto (SP), com votação até 6 de maio. Além de itens típicos, as receitas de família ganham lugar privilegiado nos estabelecimentos.

No Empório Multi-Mix, na Vila Seixas, o cozinheiro Edson Martins de Souza aposta na “Casquinha de Siri” elaborada por uma amiga da Bahia. O segredo, segundo Souza, está no molho, com pimentão, leite de coco e coentro, além da carne bem temperada e servida com farofa de manteiga

No mesmo bairro, o já conhecido pela tradição nordestina “Cantina Toninho e Carlão” oferece ao público um bolinho de carne moída empanado e recheado com queijo, servido com molho tártaro e batizado de “Croketártaro”.

Bem ao lado do Estádio Palma Travassos, na Choperia e Costelaria Ligue Chop, o proprietário Paulo Roberto Miranda apresenta aos clientes uma porção de filé de tilápia empanado, mais conhecida como “Filé Mignon da Tilápia”. Segundo o dono, o resultado tem sido positivo. “A gente teve que trabalhar até mais tarde porque foi o maior sucesso”, disse.

 

Boom digital brasileiro atrai evento internacional

 

Se para muitos o Brasil é a “bola da vez” na economia mundial, certamente, a internet tem grande parcela de responsabilidade. São mais de 91 milhões de usuários, segundo a Forrester Research, número que deverá ser ampliado com a implantação do Programa Nacional de Banda Larga (PBNL), do governo federal, que pretende expandir o acesso à web para até 70% da população até 2014.

Um estudo recente do Boston Consulting Group (BCG) revelou que a movimentação econômica na web brasileira pode passar de R$ 60 bilhões em 2010 para R$ 134 bilhões em 2016 e o estudo TG.net, do Ibope Media, indica que 81% dos usuários da web comparam preços pela internet e 63% compram usando esse canal.

O cenário promissor foi um dos principais motivos para a chegada ao Brasil do evento especializado em publicidade online Admonsters. Marcado para o dia 24 em São Paulo, este será o primeiro encontro promovido pela companhia na América Latina.

“A publicidade online é uma peça-chave para a economia na web. Temos mais de 15 anos de experiência em media online e sabemos como esse cenário de soluções tecnológicas e de diferentes modelos é complicado. Saber usar todas essas ferramentas de maneira eficaz é essencial para qualquer um que faça negócios com media online”, afirma Bowen Dwelle, diretor executivo do AdMonsters.

Mobilidade e redes sociais
Dwelle diz que a escolha do Brasil como sede do evento regional é fruto não só do aquecimento da economia, mas também do aumento do uso da internet por meio de telefones celulares e da importância que as redes sociais têm no País, além da visibilidade esperada por conta de eventos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

“Eu noto também o crescimento do número de jogos sociais e jogos online. Embora não seja publicidade propriamente dita, são modelos de negócios online muito variados”, diz Dwelle.

Para o diretor executivo, apesar de o País ser considerado um mercado ainda em processo de maturação para a publicidade online, os brasileiros que trabalham nessa área são bastante antenados e conhecedores de tecnologias. “A realidade da mídia digital é incrivelmente complicada, especialmente quando existem tantas empresas e tantas soluções novas saindo todos os dias”, ressalta. “Nesse sentido, poderemos ajudar as pessoas a entenderem esse cenário tecnológico e a como usar essas diferentes soluções.”

Cross Content
Especial para o Terra

 

Fonte: Terra

“Boca a boca” é meio de propaganda mais confiável para o consumidor

Mesmo com os comerciais e os anúncios publicitários cada vez mais criativos, o “boca a boca” ainda é o meio de divulgação mais confiável para o consumidor, revela pesquisa realizada pela Nielsen.

 

 

O estudo mostrou que 92% dos consumidores mundiais declararam que confiam nas mídias conquistadas, tais como o boca a boca ou recomendações de amigos e familiares, acima de todas a outras formas de propaganda. O número representa um aumento de 18% desde 2007.

As críticas de consumidores postadas na internet são a segunda fonte mais confiável para informações e mensagens de marcas, com 70% das opiniões dos entrevistados.

Ainda 47% dos entrevistados disseram que acreditam em comerciais na TV e propagandas em revistas e 46%, em jornais. Quase dois terços (58%) dos consumidores confiam nas mensagens encontradas nos websites das empresas, conforme mostra tabela abaixo:

 


Formas de Propaganda

 

Propaganda                                           Confia pouco ou totalmente        Não confio muito ou nda
Recomendações de conhecidos                                 92%                                        8%
Opiniões de consumidores postadas na internet           70%                                        30%
Conteúdo editorial, tais como artigos de jornal             58%                                        42%
Website de marcas                                                  58%                                        42%
E-mails que solicitei receber                                       50%                                        50%
Comerciais de TV                                                     47%                                        53%
Patrocínios de marcas                                               47%                                        53%
Anúcios em revistas                                                  47%                                        53%
Outdoors e outras propagandas exteriores                   47%                                        53%
Anúncios em jornais                                                  46%                                        54%
Anúncios no rádio                                                     42%                                        48%
Propagandas antes de filmes                                       41%                                        59%
Merchandising de produtos em programas de TV           40%                                        60%
Anúncios em resultados de busca na internet                40%                                        60%
Vídeos publicitários na internet                                    36%                                        64%
Propagandas em redes sociais                                      36%                                        64%
Banners publicitários na internet                                   33%                                        67%
Propagandas na telas de dispositivos móveis                   33%                                        67%
Mensagens de texto em aparelhos celulares                   29%                                        71%

Fonte: Nielsen

Investimento publicitário

Mesmo com os números acima, a maior parte do investimento publicitário é destinada às mídias tradicionais ou pagas, tais como a televisão. No ano passado, o investimento publicitário global registrou um aumento de 7%, em comparação a 2010. Esse crescimento do investimento foi impulsionado por um aumento de 10% em comerciais de TV, em países como os Estados Unidos e China, atraindo mais investimento publicitário em comparação ao ano anterior.

Fonte: Infomoney

Raul: o início, o fim e o meio

Novo documentário de Walter Carvalho, Raul: o início, o fim e o meio, já passou de 100 mil expectadores, desde a estreia no dia 23 de março.

 

Raul Seixas                                                                                                                                                                                                    Raul Seixas no documentário de Carvalho

“Existem artistas que vieram ao mundo com brevidade, predestinação. Raul Seixas viveu para sua obra, era um tipo de artista que não existe mais. A maioria do que surge hoje é fabricado. Agora se escolhe um modelo e coloca alguém lá”, diz o diretor.
A trajetória do músico baiano de Salvador, que morreu de pancreatite aguda, em 1989, aos 45 anos, e arrasta uma legião de fãs até hoje foi resgatada em 50 entrevistas presentes no longa-metragem. Os números brutos da pesquisa são ainda mais poderosos: 94 depoimentos e 400 horas de material coletados.
Em entrevista ao jornalista Lucas Salgado, do portal Adoro Cinema, Walter Carvalho tem o que dizer “o que me interessa na figura do Raul seria objeto de um seminário. Você tem um compositor, um artista de palco. Tem um tipo de artista que não existe mais. Na época do Raul, que é a mesma do Caetano Veloso e do Chico Buarque, o artista é que era o mercado. Hoje ele é criado pelo mercado. Você coloca um modelito e é vendido com um viés mercadológico”, destacou Walter, que completou: “Nem todos duram tanto.” Ele lembrou também que Raul surgiu num momento único no Brasil, que coincide com o nascimento da Bossa Nova, do Cinema Novo e do teatro de Zé Celso.
E relacionou a arte de Raul Seixas com a contracultura americana, registrada logo no início do filme com imagens do clássico Sem Destino (Easy Rider, em inglês). Carvalho explicou um pouco a opção: “O Raul não vem só, ele vem com a contracultura, que é um movimento que surgiu com o beatnik nos Estados Unidos e que tem como primeiro pontapé, na área do cinema, o Easy Rider. Não é a toa que eu começo o filme com a cena dos motoqueiros no deserto da Califórnia.” Walter Carvalho deve ter sido uma das últimas pessoas a obterem autorização para usar imagens de Easy Rider antes da morte do ator e diretor americano Dennis Hopper.
Walter Carvalho contou que 30% do orçamento do filme – o que dá cerca de R$ 750 mil – foram gastos na aquisição de direitos de imagens. Ele lamentou não ter encontrado registro da apresentação de Raul no Festival da Canção de 1972, quando surgiu com o hit “Let me Sing”. “Se eu encontrar, vendo meu carro, compro os direitos e insiro a música no filme”, brincou.
Walter afirmou que o trabalho de colher os depoimentos é uma luta corporal feita pela produção, consistindo em inúmeros contatos via carta, e-mail e telefone. Ele disse que levaram meses para convencer Paulo Coelho a dar uma entrevista para o longa. A produção teve muito problemas para se adequar à movimentada agenda do escritor.
A sorte dos realizadores foi que Coelho viu um programa especial da Globonews sobre Raul, em que Sylvio Passos (presidente do Raul Rock Club) elogiava a produção de Raul – O Início, o Fim e o Meio. Após isso, o próprio autor procurou o produtor Denis Feijão para agendar uma entrevista.
Morte de Raul


O cineasta surpreendeu ao dizer que, para ele, Raul teria morrido de amor. “O Raul morreu por amor. O Raul morreu de uma paixão louca pela Edith”, destacou Walter, fazendo menção à primeira esposa do músico. O longa mostra várias mulheres da vida de Seixas e Edith é a única que se recusou a dar depoimento. Por isso, a afirmação soou surpreendente. Mas o diretor fez questão de frisar que a diferença de Edith para as outras foi que ela se encantou pelo Raul da Bahia, enquanto que as demais já conheceram o astro do rock.
Um capítulo controverso com relação ao falecimento do ícone da música brasileira foi a série de 50 shows que Raul fez com Marcelo Nova. Muitos apontam que as apresentações ajudaram a apressar a morte dele, mas outros – como mostra o filme – também defendem que estas, na verdade, colaboraram para mantê-lo vivo por mais tempo.
“Ele fez 50 shows sem faltar a nenhum e morreu no primeiro final de semana sem show, o que é bem simbólico. Não posso afirmar categoricamente que, se ele tivesse continuado, ele não teria morrido. Como também não posso dizer que ele teria morrido antes. Ninguém sabe”, afirmou.
Walter Carvalho lembrou ainda de outros ícones que faleceram cedo. “O processo do Raul foi como o de Glauber Rocha, Torquato Neto, Jimi Hendrix, Janis Joplin. São pessoas, artistas, que vieram ao mundo com brevidade. São pessoas que vieram ao mundo para ter uma passagem meteórica e deixar uma obra. É uma predestinação, não sei. São características de alguns artistas que abreviam as suas vidas. O Raul é uma pessoa viveu para sua obra e morreu por ela.”

 
Walter Carvalho: 88 filmes em 41 anos


O diretor Walter Carvalho é um veterano no cinema brasileiro, onde começou muito jovem, em 1971, como assistente de direção no filme dirigido por seu irmão Wladimir Carvalho, O País de São Saruê, um clássico que ficou inacessível durante anos devido à censura imposta pela ditadura militar. Além de Raul – O Início, o Fim e o Meio, agora lançado, ele dirigiu ou participou da direção ou da produção de 88 filmes entre 1971 e 2012, entre eles Budapest (diretor, 2009); Chega de saudade (diretor de fotografia, 2007), Entreatos — Lula a 30 dias do poder (diretor de fotografia, 2004 ), Cazuza – O tempo não para (codiretor 2004), Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (diretor de fotografia, 2003), Carandiru (diretor de fotografia, 2003), Amarelo Manga (diretor de fotografia, 2003), Abril Despedaçado (diretor de fotografia, 2001), Madame Satã (diretor de fotografia, 2001), Lavoura Arcaica (diretor de fotografia, 2001),Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão (cineasta, 2000), Central do Brasil (cineasta, 1998), João Cândido, um Almirante Negro (cineasta, 1987), Quilombo (operador de câmera, 1984), Sargento Getúlio (cineasta, 1983), Antônio Conselheiro e a Guerra dos Pelados (cineasta, 1977), O País de São Saruê (assistente de direção1971).

 

Fonte: Portal Vermelho

Apôitchá no Abril pro Bem 2012