Estudantes protestam no Recife e são reprimidos por PM


Estudantes voltaram às ruas do Recife, nesta segunda (23) contra o aumento nas tarifas de ônibus e, mais uma vez, foram reprimidos pela polícia. As passagens foram reajustadas em 6,5% desde o último domingo. De forma truculenta, o Batalhão de Choque recorreu a spray de pimenta, bombas de efeito moral e agressões. Nesta terça, os alunos da Faculdade de Direito do Recife (FDR) organizaram um ato contra a ação da Polícia Militar nas passeatas estudantis.
Em  manifestação na segunda, estudantes protestaram contra violência policial /  Foto: Andréa Rêgo Barros/247

Segundo Everton Fobzy, participante de comitê organizado pelos grupos estudantis contra o reajuste das passagens,  a mobilização desta segunda-feira tinha o objetivo não apenas de pedir a redução das tarifas,  mas pretendia levantar questões sobre a mobilidade urbana.
Os jovens cobraram a diminuição da carga tributária sobre os transportes para, dessa forma, impactar na redução dos preços. A mobilização, além disso, manifestava apoio aos moradores de Pinheirinho, retirados de assentamento em São Paulo, em operação de reintegração de posse. Na última sexta, os jovens já tinham realizando uma outra manifestação, que também terminou em confronto com PM.

Manifestantes também fizeram alusão a desocupação de Pinheirinho / Foto: Andréa Rêgo Barros/247

Centenas de jovens participavam do protesto, que seguia tranquilo até que os estudantes interditaram uma das ruas do centro do Recife. Pessoas que estavam nos prédios jogavam papel picado em apoio aos estudantes.
“Acho o protesto válido. O aumento das passagens vai pesar no bolso de todos. Admiro esses meninos que vão às ruas lutar por causas coletivas”, disse a professora Gleice Maria Costa, de 41 anos, que estava dentro de um ônibus durante o protesto.
Quando os manifestantes fecharam alguns cruzamentos importantes como o da Avenida Conde da Boa Vista com a Rua da Aurora, na Boa Vista, os policiais iniciaram a repressão – que foi além da medida. A PM usou spray de pimenta e bombas de efeito moral. Mesmo sob forte chuva, o protesto se estendeu por quase três horas.

Homens do batalhão de Choque disparam contra manifestantes / Foto: Andréa Rêgo Barros/247

Alguns estudantes estavam com os braços levantados e ajoelhados com as mãos na cabeça, mostrando que não pretendiam confrontar a PM. Mesmo assim,  a polícia avançou. Os estudantes ofereceram flores e abraçaram integrantes do Batalhão de Choque, enquanto pediam paz e cobravam o direito de se manifestarem.
Alguns jovens foram detidos. O jornal Diário de Pernambuco localizou quatro estudantes nas delegacias, entre eles uma adolescente de 14 anos e uma jovem de 26, que terminaram sendo liberados. Dois jovens ficaram feridos.

Policiais utilizaram de força para deter estudantes no protesto / Foto: Andréa Rêgo Barros/247

Apesar das agressões, os manifestantes não pretendem desistir dos protestos.  “A nossa disposição continua a mesma. Somos contra o aumento das passagens”, contou Thauan Fernandes, 19, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco. Segundo ele, a ação da polícia foi injustificada e desproporcional.
Ontem, por meio de nota oficial, a PM informou que a “ação do efetivo policial tem por objetivo garantir a lei e a ordem, bem como o direito de ir e vir dos cidadãos e a própria integridade física dos transeuntes e manifestantes”. E que “o efetivo empregado nesse evento possui treinamento especializado nesta ação e tem atuado sempre dentro dos limites da lei vigente”.
Uma estudante que participava do protesto disse que um policial tomou a sua câmera e afirmou que só a devolveria sem o cartão de memória. Quando uma repórter de um jornal local estava tentando gravar uma entrevista com o suposto policial, um PM da CIPmotos a empurrou. Mesmo depois de se identificar como imprensa e após seu colega de trabalho entrar na frente do PM, o policial andou em sua direção, com o dedo apontado, e ameaçando prendê-la. A jornalista não foi detida, mas não conseguiu saber o nome do policial, que não portava identificação visível.

Estudantes ofereceram flores aos homens que pouco antes reprimiam manifestação/ Foto:Andréa Rêgo Barros/247
Pela apuração dos fatos

Nesta terça (24), estudantes do Diretório Acadêmico Demócrito de Souza Filho da Faculdade de Direito do Recife (FDR) seguiram em marcha até a sede da Corregedoria-geral da Secretaria de Defesa Social, no bairro de Santo Amaro, para denunciar a ação da polícia durante os protestos realizados na última sexta (20) e nesta segunda (23). Eles protocolaram uma representação pedindo a apuração dos fatos.
A passeata saiu da Faculdade de Direito do Recife e seguiu até a Corregedoria. Durante a caminhada, alguns manifestantes repassaram um abaixo-assinado à população para que apoiem a causa.
Na tarde desta terça, a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP)  deverá se reunir para tentar fazer com que os próximos protestos sejam ainda mais pacíficos, evitando novos confrontos.

Com agências

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